Nathal & Candlesticks


Enquanto o tempo esquenta, literalmente, a economia esfria.

 

Batendo na mesma tecla.

Eu realmente não entendo o porquê dos artigos em jornais que defendem que o Brasil e sua indústria estão saindo da crise. O jornalista da FSP quer fazer crer, assim como outros também o querem, que a indústria cresceu 1,3%.

Bem, vamos às comparações então para dirimir as dúvidas quanto ao que é que está realmente acontecendo no Brasil, sem enganação.

Dado: cresceu 1,3% se comparado a o mesmo período do mês anterior. Ponto positivo? Mas isso porque retiraram as quedas devido à sazonalidade. A indústria não cresceu absolutamente nada de um mês para o outro, se forem colocados os números reais, sem extirpar a sazonalidade

Dado: de janeiro a maio a indústria cresceu 7,8%, após perda de 20% de setembro a dezembro. Pelas minhas contas esse crescimento de setembro até maio é negativo em 12,2%.

 Dado: desde que essas pesquisas estatísticas foram iniciadas, em 1991, experimentamos o pior desempenho da indústria nacional desde então.

Dado: se comparado ao mesmo mês do ano passado (era o que se fazia quando as coisas iam bem) a indústria perdeu 11,8% na produção. Um verdadeiro DESASTRE.

Dado: a indústria automobilística tem o melhor semestre da historia. Ponto positivo?

Com os estoques do tamanho que carregavam, as indústrias do setor iriam simplesmente deixar de produzir automóveis por pelo menos 6 meses caso o governo não desse a isenção do IPI. O Brasileiro aproveitou a queda do imposto, e saiu fazendo dívida em 60 meses para comprar ser carrinho novo. (Resta saber se irá conseguir pagar a prestação)

Mas de quanto é a queda na produção de veículos já que estas indústrias não recompuseram seus estoques? Esse setor não está entre os de pior desempenho no pós crise, já que perdeu apenas 24,9% de produção. Está bem perto da queda do setor de metalurgia com perda de 24,1%, o que é bem melhor que o desempenho da indústria de material eletrônico e de comunicações, que perdeu nada menos do que 36,1%, porém, não bateu a queda havida no setor de maquinas e equipamentos, com perda de mais de 37% na produção e vendas.

E qual é a manchete?

Indústria reage e cresce 1,3% em maio.

 Durma-se com uma manchete dessa.

 

E se...

Contando com o ovo no traseiro da galinha, o Brasil já está vendo como é que irá gastar a tremenda quantidade de dinheiro que ainda vai entrar no caixa. Tudo planejado pelo governo, e divulgado sem parar pela mídia nacional. Não me venham dizer que a taxa de desemprego do Brasil está caindo, que a renda está subindo, que a indústria está crescendo, e que a receita também tem o melhor desempenho dos últimos meses.

Todo mundo conta com que a economia volte a crescer. Já contávamos com isso em setembro, quando tudo não passaria de uma marolinha, em janeiro, depois de queda no abismo, em maio, já que a crise havia acabado e agora em julho porque o mês corrente não conta.

 Não há a menor possibilidade do plano brasileiro não dar certo. O mesmo ocorreu nos EUA quando todo mundo falava que em maio o emprego seria “menos pior”, esse plano por lá não deu certo como o daqui vai ainda dar.



Escrito por Nathal às 08h31
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ESSE PAPO DE COMMODITIES JÁ ENCHEU.

 

A moda agora é comprar commodities. É por isso que os governantes brasileiros confiam tanto nas balas que pensam ter na agulha. A historia do mundo mudou porque houve uma bolha no preço das commodities, causada pela fabricação de dinheiro virtual. Como havia muito dinheiro nos balanços das empresas, estas tinham de colocar a roda para funcionar.

Agora virou moda dizer que o preço dos grãos irá subir até o céu, o petróleo, a carne, o ferro, os metais, e todo o resto. É a moda. Vamos comprar contratos futuros disso ai. Vai ser uma vara  tipo a que a Sadia tomou, ou neles ou em nós, não é?

Meus amigos, nada disso ai irá acontecer. Já vimos hoje mesmo que os empregos nos EUA, e  na Europa, estão cada vez mais difíceis de se encontrar. Precisa de um ministro do trabalho brasileiro vir a público dizer que mês que vem o emprego formal será melhor do que o mês anterior. Claro, o Estado está empregando tudo quanto é puxa- saco.

A verdade é que o mundo está muito mais pobre. A não ser um país ou outro, beneficiados pelo lado ruim da crise, isto é, eram países vendedores e financiadores da dívida americana, como o Brasil e a China, o resto está afundando no pântano da recessão. Ocorre que os países que vendiam os produtos para os EUA não vendem mais. As exportações da China caíram 34% esse semestre, as da Índia 29%, e as do Brasil, dizem por ai, que só deixou de vender 13% do que vendia. (me engana, eu gosto)

Tem uma conversa por ai que vamos bater o recorde absoluto de vendas de automóveis nesse semestre. Verdade, mas para o mercado interno, e por pura necessidade de desova. Tem neguinho dando carro em loja de esquina. As montadoras então fazem feirão no pátio de estacionamento da fabrica. É a mais pura necessidade de se fazer caixa com os estoques, nada mais de que isso, e se a grana não bastar...

No mais, as exportações de automóveis brasileiras para o resto do mundo caíram apenas 63%, segundo as estatísticas apresentadas pelas indústrias.

O pessoal que operava bolsa naquela farra, e que levou uma varada geral e irrestrita, agora quer defender o dinheiro das pensões comprando petróleo, trigo, soja, essas coisas que sempre foram o lixo da bolsa de valores.  O mundo irá responder como sempre respondeu, vai plantar e fazer uma supersafra, em seguida os preços desabarão, como sempre foi na historia. O lado do petróleo está cômico. 11 semanas de queda nos estoques de petróleo, e onze semanas de alta nos estoques de gasolina. Bastava anunciar a queda no estoque e os preços já iam 3 dólares para cima. De repente se percebeu que quem compra o petróleo não faz uso dele, apenas especula. E quem precisa de petróleo para fabricar produtos não está nem ai com as compras, ou o com preço. Está abarrotado de petróleo e gasolina, comprado e fabricado ano passado.

Mas, como virou moda falar do preço das commodities, até o Lulla marolinha está achando que ele é o rei da soja, ou do gado, e agora d petróleo também. Vai sentar em todo o ferro que sobrar na Vale.

 



Escrito por Nathal às 16h50
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Política.

 

Vocês estão vendo a bagunça acontecendo?  Senado da República está se desfazendo. Troca-se presidente por lá como se troca camiseta suada. Nada disso adianta, por lá não há uma maçã podre, todas o são. Não há ninguém que possa defender o indefensável. A crise não é política nem financeira, é moral. O Brasil não tem moral.

Troca-se um estelionatário por um chantagista, um ladrão por um escroque, e assim ficamos sendo manipulados pela máfia que toma conta do Brasil. Pouca vergonha?

Para nós, o povo, é bom que isso aconteça. Primeiro porque vamos pagar uma conta menor (espero) depois porque haverá mudanças nos homens públicos brasileiros.

 Pena que, em sendo de esquerda, essa gente nova tende a ser pior do que os que aí estão.

Quero ver essa crise se agravar.



Escrito por Nathal às 08h27
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As últimas no mercado americano.

 Dão conta de que os fundos de pensão dos funcionários dos Estados estão profundamente envolvidos na compra de contratos futuros de commodities. A especulação é tamanha para tentar salvar tais fundos da bancarrota, que eles estão levando os preços das commodities, especialmente o petróleo, às alturas.

É o que mostra pesquisa recente sobre os dados dos mercados americanos. Estas apostas dobraram o preço do petróleo nos últimos seis meses e estão levando, sem fundamentos, as bolsas a acompanharem tais movimentos.

Investidores passivos compraram nada menos do que 600 milhões de barris de petróleo em contratos para entrega futura. Esses investidores são fundos de pensão, e não usarão esse petróleo para nada. Terão de vender tais contratos em algum momento no futuro, ou receber o petróleo, caso os contratos tenham entrega física.

Esse movimento especulativo reascendeu o movimento das autoridades americanas para conter esses movimentos especulativos, e enquadrá-los em mais severo controle. As autoridades estão vendo a especulação mostrar a maior valorização em 19 anos em apenas 3 meses, e não estão gostando do que vêem.

Isso ai acima é uma tradução livre de artigo no MarketWatch. Já se vê que o mercado está andando para cima totalmente sem fundamentos e isso não é bom. O mercado americano está em desespero, tentando salvar as aposentadorias de milhões de aposentados, especulando com o mercado futuro. Vão se dar mal, sem a menor dúvida.

Está ficando cada vez mais claro que o mercado subiu rápido, da mesma forma que caiu e que muita gente esta especulando por lá sem lastro financeiro nenhum. Vai ser outro desastre e desta vez não haverá mais o FED para salvar os feridos. Afinal eles não são bancos, mas empresas profissionais de especulação.

Da mesma maneira que sobe o preço das commodities cai o preço do dólar. Isso implica que o mundo inteiro, pessoas, empresas e países estão empobrecendo rapidamente. Tome-se o exemplo do real que em apenas 90 dias teve uma queda de 17%.

Não é preciso ser muito esperto para perceber que há alguma coisa de podre nesse reino.



Escrito por Nathal às 21h36
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A crise acabou.

Sem dúvida, a tal crise já era, se acabou no falatório.

 Nosso balanço de crise foi bom. Bem melhor do que se podia esperar. Não quebramos junto com o mundo. Desta vez tínhamos bilhões de dólares em caixa e os BC se propuseram eles mesmos a pagar pela crise e pelos prejuízos. Não foi necessário corridas às reservas dos países. O prejuízo foi de tal monta que preferiram rolar a dívida para as futuras gerações. Contam com a transformação tecnológica para compensar as perdas.

Assim, a não ser um patamar de consumo consideravelmente menor para os próximos 3 anos, nada de novo aconteceu. As mudanças acontecerão ao longo dos próximos anos. Serão sérias, e promoverão um crescimento econômico modesto no inicio da transformação.

Há sérios desafios pela frente. Um deles, o maior para o Brasil, será a contenção do desmatamento da Amazônia. Meu lado otimista quer acreditar ser possível, mas a realidade mostra outra coisa.

Para o resto do mundo, China de fora, o crescimento econômico deverá contar com o freio dos ecochatos. A China enxerga longe - planeja para 30 anos - e está comprando tudo o que acha pela frente, no intuito de aumentar as reservas de matérias primas e materiais estratégicos. Nós fazemos diferente, não vemos um palmo na frente de nossos narizes e gastamos o que temos, ou vendemos para a China.

Sorte de termos nas terras tupiniquins, esse potencial de exploração econômica. Vamos nos dar bem no futuro. Espero.

O que irá atrapalhar o crescimento econômico de quem não pode produzir alimentos, eletricidade, e tecnologia, será os preços desses mesmos produtos. Básicos para sustentação de uma população, que deverá atingir 9 bilhões de pessoas em 15 anos.

O crescimento da população ameaça a continuidade da humanidade. Naquele nível populacional, os recursos econômicos serão gastos a uma velocidade 50% maior que agora. Poderemos ter crescimento sustentado? Essa é a pergunta que o mundo, menos a China, está se fazendo. O perigo de não podermos agüentar esse nível populacional é grande.

Tai porque em meio a crise o petróleo subiu de volta para os 75,00 dólares. 

 

 



Escrito por Nathal às 08h56
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