O governo acaba de taxar as aplicações de estrangeiros em bolsa. A festa acabou. Mas demorou a acabar. O fato concreto é que se ele não fizer isso, a indústria nacional, principalmente a exportadora, desapareceria em menos de dois anos atoladas em dívidas e sem poder de competição. O governo acha que, taxando o capital especulativo de curto prazo, vai conseguir melhorar o valor do dólar em relação ao real. É uma medida correta, porém não irá conseguir seu intento a não ser em um período muito curto de tempo. Na segunda-feira o dólar vai subir e a Bovespa cair. Já será o movimento sobre a surpresa da intervenção estatal na economia. Todo mundo irá reclamar, menos o setor industrial que é o beneficiado pela medida. O fato é que os industriais não querem nem saber se o valor de suas ações irá cair em bolsa, desde que eles continuem vivos. A Bolsa cairia de qualquer maneira quando os resultados dos lucros das empresas fossem divulgados. O dólar baixo interessa ao governo Lulla. Isso mantém a inflação comportada. No entanto, o dólar não vai parar de cair, a não ser que os EUA aumentem a taxa de juros por lá. Como não é ainda de interesse deles fazer isso - há ainda muita hipoteca correndo risco de inadimplência por lá – o dólar irá continuar a derreter mundo afora. Essa conversa de intervenção no mercado cambial não surgiu de uma hora para outra, já vem sendo discutida faz tempo. Porém, o que acionou a medida foi o fato do governo americano dizer, na quarta-feira passada, que não era intenção dessa administração fazer nada para defender o dólar, que esse era um problema dos outros e quem quisesse ver o dólar forte que o comprasse para melhorar a demanda. Foi a gota d’água. Ao ouvir tal intenção se tornar realidade o governo brasileiro não pode deixar a indústria nacional ser mais ameaçada. Ela esta à beira da banca rota. Podem não dizer nos jornais, mas essa é a realidade, senão porque o governo iria intervir? A briga é mundial. É um processo macroeconômico fundamentalista que tem a ver com a globalização. Essa é a verdadeira crise se alastrando. Já mostrei aqui o processo que está em andamento. Os EUA querem diminuir sua dívida. Afinal todo mundo só fazia reclamar dela. Para tanto precisa provocar inflação. Assim ele imprime dinheiro e consequentemente desvaloriza sua moeda frente às outras. Seu poder de exportação também cresce com isso, enquanto o poder de exportação do resto do mundo diminui. Ora o povo americano fica mais pobre, e assim corre para comprar ações e commodities. Por trás dos bastidores, porém as indústrias instaladas na China, Brasil, Rússia, Índia, Europa, e em qualquer lugar fora dos EUA, sofrem com o recebimento de menos valor por suas vendas, ou seja, prejuízo em meio a uma queda generalizada nas vendas externas. Por isso se canta qualquer recuperação econômica nos países. Mas isso acontece apenas nos mercados internos, na tal de globalização a coisa vai mal, muito mal. Ou vocês estão pensando que é uma coisa boa esse tal acúmulo de reservas? O Japão, contumaz interventor no poder de compra de sua moeda, mês passado, com novo ministro, disse que deixaria de intervir para valorizar o dólar, mesmo colocando em risco suas empresas. Diferentemente do resto do mundo a bolsa de Tókio parou de subir. Eles sabem que tem excesso de capacidade instalada e que não vão vender porcaria nenhuma por um bom tempo. Tem de queimar as gorduras. Quanto mais cedo as nações fizerem isso melhor, mas o que se quer é à volta ao status quo ante. Enquanto isso, o mundo discute o já provado perigo sobre o aquecimento global. Pois bem, não há como se resolver esse tópico sem uma recessão descomunal no mundo por pelo menos cinco anos. Qual governo vai assumir isso? Não o brasileiro por suposto. Estamos na roda da historia, o Brasil ainda está pensando que o mundo é o mesmo. Não é.
Escrito por Nathal às 08h13
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